Cachos ao redor do mundo

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Oiiiii, pessoal! Tudo bem com vocês?

Há muito tempo, vem sendo imposto pela sociedade um padrão de beleza europeu. Quem está fora desse padrão, acaba fazendo de tudo para ‘se encaixar’ e, como o liso faz parte disso, muitas brasileiras se submetem a diversos procedimentos químicos para alisar os fios.

Aqueles que tentam se livrar das imposições, acabam sendo desencorajados por boa parte das pessoas, sejam elas parentes, amigos ou desconhecidos. Quem nunca ouviu ‘mas você ficava melhor com cabelo liso’ ou ‘o cabelo natural não combina com você’?

Aqui no Brasil, sabemos como esse padrão de beleza faz com que diversas mulheres se escondam atrás de fios lisos, mas como será em outros lugares do mundo?

Para tirar algumas dúvidas sobre o assunto, eu conversei com a Cristiane Leme, que mora na Dinamarca. Ela é colunista do Brasileiras Pelo Mundo desde 2013 e, em 2015, assumiu também a posição de editora-geral do blog. Antes de morar na Dinamarca, ela também viveu na Alemanha.

No Brasil…

Quando era criança, sua mãe dizia que dava trabalho cuidar de cabelos compridos e cacheados, por isso ela os mantinha bem curtinhos. Na adolescência, com cabelos volumosos e cacheados, Cristiane chegou a sofrer bullying.

“Havia uma grande pressão na escola. Lembro que meu apelido era Slash (guitarrista da banda Guns’N’Roses) e os colegas da sala sempre faziam piadas de mau gosto por causa do meu cabelo. Eu era constantemente ridicularizada e exposta”.

Por conta disso, ela usava os cabelos presos na maior parte do tempo, até que, ainda na adolescência, decidiu alisar os fios em casa. “Os produtos detonaram meu cabelo, mas eu achava que valia o sacrifício tentar ser mais ‘normal’, como se fosse anormal ter cabelo crespo e cacheado. Eu queria ser aceita, queria que parassem de rir do meu cabelo e de me ridicularizar”.

Cristiane também passou pela fase de usar chapinha e alisar com progressivas. Posteriormente, ainda no Brasil, viu a pressão continuar no ambiente de trabalho. A ‘aparência certa’ não permitia cabelos cacheados. Além disso, seu peso era constantemente criticado e vigiado.

“O que posso dizer é que no Brasil sempre me senti massacrada para manter uma aparência padronizada, que era a única aceita. Os cabelos tinham que estar lisos, as unhas feitas e as roupas tinham que ser de grife ou aparentar serem caras. Já na Alemanha e na Dinamarca, as coisas são infinitamente mais tranquilas nesse sentido”.

Em outros lugares do mundo…

Na Alemanha, seus cachos naturais sempre foram elogiados. “Muitos, perguntavam qual era o segredo para ter o cabelo que eu tinha, porque todos achavam muito bonito”.

Na Dinamarca, país onde Cristiane vive atualmente, existe um grande respeito à diversidade e, em geral, ninguém é criticado pela sua aparência. “Ninguém as questiona sobre por que não fizeram escova ou por que não pentearam o cabelo”. No país, ela nunca sofreu ou presenciou qualquer tipo de preconceito.

Hoje, Cristiane ama seus fios e a versatilidade de poder estar crespa ou lisa quando quer. Nas redes sociais, participa de um grupo de cacheadas e crespas brasileiras que moram na Dinamarca. Elas estão se reunindo para abandonar de vez as químicas e assumir os cachos.

E se você achou que químicas alisadoras faziam sucesso em qualquer parte do mundo, se enganou, pois não fazem sucesso por lá e é difícil encontrar lugares em que se possa fazer uma. As cacheadas que ela conhece, geralmente preferem assumir os cachos naturais.

Lá nunca tentaram convencê-la de que ficaria melhor com os cabelos lisos. “Um referencial bacana das sociedades escandinavas é a Lei de Jante, cuja afirmação principal é ‘Ninguém é melhor que ninguém’. As pessoas levam isso bastante a sério por aqui e eu acho fantástico que seja assim”.

Cristiane acredita que é extremamente importante assumirmos nossa identidade. “No Brasil eu lutei para ser aceita, para estar dentro do padrão e sempre fracassava, porque no fundo sou uma rebelde e gosto de mim como sou, mas era sempre excluída. Eu me sinto muito feliz em finalmente poder ser eu mesma e sair desse círculo vicioso ao qual estive presa por tantos anos”.

Se você é cacheada e mora no exterior, conta para gente aqui nos comentários.

Beijosss

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Sobre mim

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Sou Jornalista, tenho 27 anos e estou em transição capilar. Por aqui, você encontra tudo sobre o universo da Transição Capilar e das Cacheadas.
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