Com blog e salão, jornalista ajuda mulheres a assumirem o cabelo natural

Sabrinah Giampá

Oiiiii, pessoal! Tudo bem com vocês?

Como muitos devem saber, sou jornalista e estava há um tempo querendo incluir entrevistas nos nossos posts. Finalmente, a vontade se concretizou! A partir de hoje, vocês vão encontrar aqui no blog diversas entrevistas, sempre pertinentes ao tema ‘transição capilar’, que é o nosso foco.

Assumir o cabelo natural, fez a vida da nossa primeira entrevistada mudar totalmente. A jornalista, blogueira e cabeleireira Sabrinah Giampá é hoje muito feliz com seus cachos, mas nem sempre foi assim.

Desde a infância, a relação de Sabrinah com seus cachos não foi boa. “Fui criada para achar que tinha uma anomalia genética, que era inapropriado ter um cabelo cacheado, porque era feio”.

Se hoje, esse preconceito ainda persiste, na época que Sabrinah era uma criança, as coisas eram piores. Sem informação, as mães não sabiam como cuidar do cabelo de seus filhos. Ainda muito nova, era levada para escovar os cabelos. “Era o cabelo que a sociedade exigia que eu tivesse, o meu cabelo era errado”.

As químicas mais fortes começaram na adolescência, com o relaxamento. Depois, veio a moda das progressivas e Sabrinah também começou a fazer uso delas. A liberdade só chegou aos 30 anos. “Depois de muito tempo alisando, o cabelo vai ficando ralo, sem vida. Um dia, olhei no espelho e não me reconhecia mais. Tenho uma personalidade forte e aquele cabelo não tinha nada a ver com quem eu era. Eu não reconhecia mais a imagem refletida no espelho, era como se o alisamento tivesse roubado a minha identidade”.

Infelizmente, Sabrinah não contou com o apoio da família e de amigos. Muitos insistiam em dizer que o cabelo estava melhor antes, ou seja, alisado.

Apesar da falta de apoio, a jornalista foi persistente e assumiu seu cabelo natural. “Eu tinha consciência de que aquele cabelo não me representava mais. A partir do momento que eu fui voltando ao cabelo natural e descobrindo ele, comecei a me reconhecer novamente no espelho”.

Assumir os cachos teve uma importância tão grande na vida de Sabrinah, que ela descobriu sua missão de vida: ajudar outras mulheres a se libertarem também.

Jornalista há mais de 15 anos, Sabrinah atuava como assessora de imprensa, mas não gostava de estar no mundo corporativo. Com a descoberta da sua missão de vida, surgiu o blog Cachos e Fatos, em 2013.

O que era inicialmente um hobby, foi crescendo e a blogueira percebeu que suas pesquisas não eram suficientes para ajudá-la a escrever, por isso começou a fazer cursos e foi se especializando em cabelos cacheados e crespos.

Incialmente, ela via o aprendizado como uma espécie de especialização, para poder escrever mais para o blog. Mas as coisas foram tomando outros caminhos. Sabrinah começou a fazer o cabelo das amigas, o negócio foi crescendo e ela criou o Garagem dos Cachos – salão especializado em cabelos cacheados e crespos.

Hoje, a jornalista dedica seu tempo totalmente para o blog e o salão. “As duas profissões são complementares. As transformações do Garagem alimentam o blog, e o blog traz as clientes para mim”.

Não foi apenas profissionalmente que as coisas mudaram. Sabrinah, que antes precisava criar uma personagem para ser aceita, está agora preocupada apenas em agradar a si mesma. “Hoje me sinto livre, empoderada. Quando você faz isso, as coisas positivas acontecem”.

Como jornalista, Sabrinah sabe que a mídia tem um papel crucial na manutenção de um padrão de beleza europeu, mas acredita que as coisas estão mudando lentamente. “Acho que estamos entrando em uma fase de democratização da beleza, onde cada um tem o direito de ser quem é, independentemente do tipo de cor, cabelo ou corpo. É uma transformação gradativa, mas que já está começando”.

Com o Cachos e Fatos, a blogueira também tenta mudar esses estereótipos e mostrar para as mulheres que o alisamento é uma opção, não uma obrigação. “É um trabalho de empoderamento. Não é porque você tem cabelo crespo que é obrigado a alisar. Você alisa se quiser, porque gosta, mas entenda que pode usar o cabelo natural sim, que é bonito sim”.

No Garagem dos Cachos, não é diferente. O salão, que surgiu a pouco mais de dois anos, também é um lugar onde a cabeleireira pode conversar um pouco mais sobre questões tão importantes com suas clientes. “Muitas mulheres ainda chegam aqui sem se aceitar e eu converso com elas. Não se trata só de cabelo, eu entendo que tem um ser humano ali, passando por um conflito muito grande”.

Entramos aqui em um ponto extremamente importante: assumir o cabelo natural não é moda! “A mídia tentou transformar esse movimento do cabelo natural em modismo, mas está bem longe de ser isso. As mulheres estão se libertando de um padrão de beleza, elas começaram a se questionar: ‘Será que eu posso ser eu mesma?’ É um movimento político muito forte”.

A autoaceitação, o empoderamento e a quebra de preconceitos estão muito presentes quando falamos de transição capilar. Por isso, Sabrinah acredita que assumir o cabelo natural é 100% um ato político.

Além da questão do racismo, há também uma quebra de preconceitos machistas. “Muitas vezes, para tirar a química, as meninas raspam ou cortam o cabelo curtinho. Quem faz BC (big chop) é questionado se está com HIV, se virou lésbica, se está com câncer, porque no sistema machista uma mulher não pode ter cabelo curto”.

Histórias marcantes

No Garagem dos Cachos, Sabrinah já ouviu diversas histórias marcantes e compartilhou duas com a gente. A primeira, provavelmente se confunde com a de muitas meninas, que nem conhecem o seu cabelo natural, porque as mães decidiram alisá-los desde muito cedo.

“Tinha uma menina que não sabia como era o seu cabelo natural, porque desde os três anos de idade, a mãe dela alisava seu cabelo. Ela passou a vida toda ouvindo que o cabelo dela era muito ruim e feio. Foi fazer o BC escondido de todos e se libertou. A liberdade contribuiu para o crescimento na carreira dela e ela está muito feliz desde então”.

“Tem também a história de uma menina, que aos seis anos foi convidada pelo pai para ir ao shopping, mas foi levada para alisar o cabelo. Aos 13, ela decidiu ir contra toda a família e assumir o cabelo natural. Ela não queria mais fazer parte daquilo”.

Se você ainda não criou coragem para assumir o cabelo natural, Sabrinah aconselha que pesquise informações em blogs e grupos nas redes sociais que falam especificamente sobre transição capilar ou cabelos cacheados e crespos. “Quando as pessoas percebem que não estão sozinhas no mundo, que tem outras pessoas passando pelas mesmas coisas, isso faz toda a diferença no processo”.

Para quem ficou com vontade de fazer o BC com a Sabrinah, escreva para o email garagemdoscachos@gmail.com. Ela também trabalha e comercializa os produtos da Deva Curl, liberados para No e Low Poo.

Beijosss

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Sobre mim

Oiii, pessoal. Tudo bem com vocês?

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Sou Jornalista, tenho 27 anos e estou em transição capilar. Por aqui, você encontra tudo sobre o universo da Transição Capilar e das Cacheadas.
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